quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

O que é arte por Jorge Coli


Resenha /  Arte/  O Que é arte/  Jorge Coli

 

 

O que é Arte

 

Jorge Coli

Editora Brasiliense. São Paulo- SP- 1995

 

O autor concentra o seu discurso no objeto artístico, alertando da dificuldade que existe para a definição do que seja a arte, por sua complexidade e abrangência. Mas apesar desta dificuldade, sabemos quando uma obra é considerada arte.

“Arte são certas manifestações da atividade humana diante das quais nosso sentimento é admirativo (...) Se não conseguimos saber o que a arte é, pelo menos sabemos quais coisas correspondem a essa ideia e como devemos nos comportar diante delas” (08).

Ao problematizar o conceito de arte, coloca  em evidência todas as formas que podem ser interpretadas para se negar qualquer linha de pensamento que se apresenta como verdade absoluta, nesta  difícil definição do que seja   arte.

“Dizer o que seja arte é coisa difícil. Um  sem-número de tratados de estética debruçou-se sobre o problema, procurando situá-lo, procurando definir o conceito. Mas se buscamos uma resposta clara e definitiva, decepcionamo-nos; elas são divergentes, contraditórias, além de frequentemente se pretenderem exclusivas, propondo-se como solução única.” (07).

O autor  também afirma que: -“ para uma pessoa, que possua minimamente uma noção de cultura – essa entendida como um conjunto complexo de padrões de comportamento, crenças, “instituições e outros valores espirituais e materiais transmitidos coletivamente  e característicos de uma sociedade” (08)- possam identificar e reconhecer uma obra de arte.

O grande problema, afirma o autor, é que o conceito de arte passa a ser superficial e deixamos de reconhecer inúmeras obras que fogem do padrão clássico, aceito pela porção leiga da sociedade. O autor nos mostra que um determinado objeto não é mais arte que um   outro,  só por ter sido considerado como obra de arte.

 Na associação proposta , ele nos faz refletir que: -  entre um carpinteiro, na construção de um mobiliário, e  na sua  complexa tarefa de definir e julgar o seu objeto,  seus parâmetros vão ser disposto com a capacidade  da objetividade;  fato que um crítico de arte em seu julgamento passa a ter dificuldade, pois a arte não mantém essa objetividade de definição. Sendo ainda necessário conhecer  e estudar o estilo do autor para se reconhecer o processo na produção de sua obra.

Existem instituições que podem  facilitar  o trabalho de reconhecer e expor o que é arte, ou pelo menos, o que é arte naquele lugar e espaço.  Instituições estas, representadas por museus, galerias, instituições, entre outros, que nos orientam em seu discurso de especialistas: – críticos, historiadores de arte, peritos, conservadores de museus.

Portanto,  a arte é emoção, sentimento, mas também depende da razão, da organização de ideias, da sua técnica e processo. Toda leitura que se faz de uma obra é subjetiva ao proporcionar inúmeras possibilidades de interpretação daquele que olha como espectador e  daquele que olha como crítico.

 

Instauração de arte e os modos do Discurso

 

A hierarquia dos objetos pretendem afirmar que existe uma classificação das obras de arte feita pelos críticos  e que estes a classificam quanto   à sua qualidade, onde o critério máximo -   é a “obra prima” – no seu nível mais alto e perfeito. E, como toda obra, perpassa por esses critérios de julgamento, que os críticos utilizam, cada qual falando do seu tempo, com seus paradigmas e consensos, vemos  que os critérios são efêmeros, como nos diz o autor:  “podemos chegar a uma constatação deprimente: a autoridade institucional do discurso competente é forte, mas inconstante e contraditória , e não nos permite segurança no interior do universo das artes” ( 21)

 

A busca do Rigor

 

A ideia de estilo pretende dar suporte para a crítica  e para o discurso, buscando mostrar as características comuns às obras de arte de qualquer segmento. Com o estilo, o crítico pode falar sobre alguma obra com algum rigor e fazer comparações entre elas. O estilo pode remeter às fases da obra de seus autores, como também se reconhece o autor de uma obra sem que se procure sua assinatura ou etiqueta de informação. Apesar de parecer ser o denominador comum das obras de arte, o estilo tem suas armadilhas, que podem tornar uma análise superficial e ingênua: - “Percebemos, a partir desses exemplos, que as classificações não são instrumentos científicos, que elas não são exatas, que não partem de definições, e que agrupam obras ou artistas por razões muito diferentes, entre as quais se pode encontrar a  ideia de estilo, mas não forçosamente e sempre parcialmente. O que nos leva a considerar que seu emprego deve ser muito cuidadoso” (34).

Dentro desta análise, dizer autoritariamente que uma obra é de estilo  “a” ou “b”, apenas diminui sua gama de interpretação, pois colocar uma etiqueta em qualquer objeto, prende-o àquele  significado dado, extirpando as possibilidades de interpretação múltiplas ou diferenciadas, e assim, aprisionando à obra no tempo,  presa a uma definição formal e lógica.

 

Mais do que explicações, conceitos, exemplos e comparações, pode-se perceber que a comunicação do objeto artístico, se faz através de muitos enfoques, e estes podem ser através da emoção, do espanto, da intuição, das inúmeras associações e evocações que se faz diante de uma obra. E, fica evidente que se uma obra pode ser descrita a partir de várias análises, e que todos esses parâmetros são maneiras de se aproximar do objeto artístico e assim praticamente impossível esgotá-lo.

 

 

Juracy

2 comentários:

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